Fugindo da dieta

Fugindo da dieta

Um dia comendo carbs... e as consequências!

Durante quase todo o ano de 2012, me planejei para este dia: o único dia no ano em que eu comeria carboidratos como uma pessoa “normal”: o natal. Eu sabia que era uma atitude arriscada, mas não tinha muita ideia das possíveis consequências, físicas e psicológicas, que eu poderia sofrer. Quer saber como foi? Vamos lá:

Objetivo

Viver um dia da minha vida me alimentando da mesma forma (ou de forma similar) a como eu me alimentava antes de cortar os carboidratos da minha dieta e analisar as consequências de curto e médio prazos.

Cardápio

Café da manhã

  • 50g de queijo muçarela
Sensação

Me senti normal (não saí da dieta)

Almoço

  • Filet empanado recheado com provolone e bacon
  • Batatas noisette
Sensação

A primeira coisa diferente que percebi é que tive muito mais gases do que de costume. Além disso, o sentimento de culpa começou a me tomar, mas eu sabia que precisava fazer isto para passar por esta experiência. Por fim, me senti muito cansado e com desconforto após a refeição.

Tarde

  • M&Ms (cerca de 30 unidades)
Sensação

No começo era difícil parar. O gosto doce era algo que não sentia há tempos e que me dava muito prazer. Tive alguns momentos de euforia, mas após uns 10 minutos, não conseguia mais aguentar o gosto doce. Era tremendamente enjoativo. Após meia hora, eu estava com fome novamente.

Noite (ceia de natal)

  • 2 morangos
  • 4 copos de suco La Frutta Zero Laranja
  • 4 Brigadelas (brigadeiros gourmet) de copo
    • 3 sabor ovos moles
    • 1 sabor chocolate (não consegui comer até o fim: muito doce)
  • 1 fatia de panettone trufado Cacau Show
  • 1 + 1/3 de prato de arroz à grega com queijo muçarela
  • 2 colheres de sopa de farofa de natal
  • 1 pedaço pequeno de peito de chester
  • 2 fatias de presunto tender
  • 1 colher (de servir) de salada de batata e maionese
  • 3 “barquinhos” de frango, ervilha e iogurte
  • 4 copos de água
  • 1 copo de guaraná zero
Sensação

Me sentia completamente “cheio”, como se estivesse inchado: um verdadeiro “balão”. Tinha a impressão de que tinha comido uma quantidade enorme de comida: muito mais do que eu comia antes de começar a dieta e muito mais do que havia comido no natal anterior. Na realidade, segundo minha noiva, eu comi um pouco mais da metade do que comi em 2011.

Suei muito naquela noite, muito mais do que o que tenho suado atualmente (mas de forma e em quantidade semelhante às de antes da dieta). Sentia dor na barriga e dificuldade para respirar. Após a refeição, me senti muito cansado e indisposto. O único pensamento em minha mente era: “nunca mais vou comer deste jeito”.

Na manhã seguinte, senti muito sono e tive muita dificuldade para me mexer: era uma espécie de “ressaca”, e nos dias que se seguiram, até os níveis de corpos cetônicos voltarem a indicar que eu estava em cetose, me senti bastante cansado e mal-humorado.

Adendo: Eu estava tão mal-humorado que após ler este texto, familiares pediram que fizesse um adendo relatando que tive diversas ocilações de humor, com picos de impaciência, nervosismo e irritabilidade. Por cerca de quatro dias! Por isto, se você pretende sair da dieta, é bom que esteja cercado de pessoas que lhe apóiem e entendam sua situação.

Medições

No período destes testes, fiz algumas medições (não deixe de ler as conclusões no final):

Data (Hora) Peso Corpos cetônicos Foto
24/12 (7h) 104,6kg 10 ~ 50mg/dl

Ainda em cetose

Ainda em cetose

24/12 (23h50min) 107,8kg 0mg/dl

Fora de cetose

Fora de cetose

25/12 (10h) 107,2kg 0mg/dl

Nada ainda

Nada ainda

26/12 (10h) 107,2kg 0mg/dl

...

27/12 (7h) 106,7kg 10~50mg/dl

Em cetose, novamente

Em cetose, novamente

Conclusões

É lógico que muitos dos efeitos que descrevi podem ser psicológicos. Afinal, é um estudo de imersão (em que o pesquisador se torna parte do objeto de pesquisa) e não tem qualquer valor científico, mas para mim foi importante para chegar a algumas constatações:

  1. É duro, mas percebi que eu costumava sentir todos este sintomas pelo menos uma vez por semana quando comia carboidratos. E o pior de tudo: eu costumava achar este desconforto todo uma sensação boa. Me sentia como um guerreiro que vai a uma batalha e sai vivo, mas cansado. No entanto, após oito meses sem sentí-la, eu percebi que não havia nada grandioso na sensação e que eu não era muito mais do que um bêbado com ressaca.
  2. Tive a sensação de ter comido uma quantidade descomunal de comida, mas percebi quando me disseram que eu comi “pouco”, que antes da dieta, eu comia como um ogro. O mais impressionante de tudo é que em momento algum eu tive que passar fome para “me treinar” a comer menos. Tudo foi natural.
  3. Não consigo mais me imaginar comendo carboidratos na mesma quantidade que comia antigamente, mas, o fato de eu ter comido naquele dia tornou muito mais difícil a tarefa de me segurar agora: voltei a ter compulsão por doces e tenho amenizado ela com sorvetes com pouco carboidrato, chocolate amargo e refrigerante zero, mas sei que o que deveria fazer seria cortar totalmente esse tipo de coisa por duas ou três semanas.
  4. Faz quase um mês que o natal passou e meu peso está estabilizado em 106kg e frequentemente acabo passando dos 20g de carboidratos (ficando em torno de 30g a 50g, no máximo, mas ainda assim, acima).

Em síntese. Por mais que eu não tenha engordado muito nem saído de cetose por muito mais do que alguns dias, o ato de comer carboidratos desenfreadamente despertou em mim o vício novamente. E isto é perigosíssimo. Tanto que  me arrependo de tê-lo feito e não pretendo repetir. Para piorar, não consegui até agora voltar ao peso que tinha anteriormente, mas também não estou tão preocupado com isto, pois é natural que tenhamos mais dificuldade de emagrecer no verão (evolutivamente falando, nossos corpos tendem a acumular gordura pra evitar passar fome no inverno, quando não há tanta comida disponível). No entanto, de certa forma, isto acaba desmotivando um pouco, mas mesmo assim, sigo em frente.


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