Dietas low carb são dietas radicais?

Dietas low carb são dietas radicais?

Repensando alguns conceitos

Pra começo de conversa, qual o seu conceito de radical? Se para você esta palavra significa “resolver os problemas pela raiz”, bem… neste caso, as dietas low carb são radicais, pois, conforme já vimos anteriormente, o que  nos faz engordar é a insulina e o que eleva a insulina são os carboidratos. Ao restringir o consumo de carboidratos, estamos “matando o mal pela raiz”.

No entanto, para a maioria das pessoas, não é este o significado da palavra. Geralmente, quando as pessoas me perguntam sobre minha dieta e eu falo que não como mais do que 20g de carboidratos por dia, cortando frutas,  pão (inclusive integral), leite, massa, sucos (e etc.); a maioria das pessoas mostra resistência. Afinal, ninguém quer sair de sua zona de conforto e todos sonham com uma dieta em que se possa comer de tudo um pouco.

Pois bem, este tipo de dieta, em que se pode comer “de tudo um pouco” existe: são as dietas de restrição calórica. Você pode comer de tudo… em porções ridículas e controladas neuroticamente para não extrapolar a quantidade de calorias, com o intuito de manter um balanço calórico negativo. Ou seja, mantê-lo em um estado em que você ingere menos calorias do que gasta, deixando seu corpo passando fome permanentemente. Parece exagerado? Talvez, mas não está muito longe da realidade.

Depois disto começam as coisas estranhas… para a abordagem acima funcionar, você precisa comer de três em três horas, fazendo 6 refeições pequeníssimas por dia. Afinal, você não pode sentir fome, pois se sentir, ela vem com força descomunal e você acaba pegando aquela lata de leite condensado que escondeu no fundo da despensa pra ninguém ver, uma lata de Nescau e se entupindo de brigadeiro. Ou então, no verão, você compra um pote de 2 litros de sorvete  e come metade dele enquanto vê televisão ou faz alguma outra atividade sedentária. Para piorar a situação, você se sente um idiota, porque “não teve força de vontade” e pensa que “precisa se controlar” e “fazer mais exercício”. E se não bastasse, seus parentes e alguns amigos se veem na obrigação de lhe “ajudar” jogando tudo isso na sua cara, o que lhe faz se sentir ainda pior. Se identificou? É… eu também já passei por isso.

Agora pense comigo:

você já viu um leão fazendo regime? Já viu um tigre colocando o despertador do celular para tocar de três em três horas para comer? Já pensou se uma preguiça sabe quantas calorias tem em cada 100g de folhas? É óbvio que NÃO!

A pergunta que fica é: se nenhum dos animais precisa fazer este monte de coisa esdrúxula para manter a forma, por que diabos a gente precisaria?

A resposta é: a gente não precisa.

O motivo pelo qual os animais não precisam tomar tais cuidados é que na natureza eles se alimentam única e exclusivamente daquelas coisas para as quais eles estão adaptados. Ou seja, a dieta (em sentido amplo) das espécies é baseada na evolução (no sentido darwiniano da palavra) das mesmas. Por mais que você tenha crescido comendo massa, sorvete, biscoitos, pão, batata, milho, doces, leite, cerveja (sim, infelizmente) e qualquer outra coisa com amido, lactose, maltose ou açúcar; se você está acima do peso é muito provável que seu corpo não esteja adaptado para processá-los corretamente e o melhor que você pode fazer é limitar o consumo destes produtos o máximo que puder.

Parece radical demais?

Parece que você nunca vai conseguir?

Parece que você terá para sempre desejos loucos de comer carboidratos?

Não é bem assim: ao restringir o consumo de carboidratos a valores baixos (eu consumo no máximo 20g diários), controlamos a glicose no sangue. Ao controlar a glicose, controlamos a insulina. A insulina baixa ativa a queima do estoque de gordura do corpo e então, após alguns dias sem carboidratos, passamos a queimar nossa própria gordura como combustível. Nosso corpo entra no estado que chamamos tecnicamente de cetose, ou ketosis, em inglês (Quer saber mais? Veja este infográfico).

Como consequência deste processo, você não sente fome nos intervalos entre as refeições. E depois de um tempo, a fome como um todo começa a reduzir naturalmente. Quando você percebe, você está comendo menos e por vezes, você até acaba esquecendo de alguma refeição (como o café da manhã por exemplo), ou substituindo o jantar por algumas fatias de queijo com presunto.

E o mais importante: você não faz isto porque você está se controlando, mas simplesmente porque você não sente fome. E, com o tempo, seu paladar vai mudando. Eu, depois do terceiro mês de dieta, resolvi provar um croquete e a sensação que eu tinha era de estar comendo massinha de modelar, devido à quantidade de farinha: aquilo não era comida de verdade. Outra vez tentei comer um pedacinho minúsculo de um bolo de aniversário e quase passei mal de tão doce que aquilo era.

Em uma dieta low carb. Você não precisa se controlar nas quantidades de comida nem contar calorias. Você pode comer até a fome acabar. Nem mais, nem menos. A única medida de quanto ou quando você deve comer é sua fome. O único esforço que você terá é comer as coisas certas.

Então a pergunta que eu faço é: o que é mais difícil? Fazer uma dieta em que você precisa cortar uma categoria de alimentos que apesar de ser saborosa, te faz engordar, mas poder comer o quanto quiser das outras duas categorias (gorduras e proteínas), sem passar fome? Ou ir contra sua natureza, tendo de lembrar de comer em horários específicos, controlar o quanto você come, contar as calorias e ficar o tempo inteiro com fome, mas com o “benefício” de poder comer carboidratos?

Eu não sei para você mas para mim a resposta é fácil: difícil é passar fome e ter que apostar no autocontrole. Fácil é comer à vontade (as coisas certas) e deixar a natureza fazer seu trabalho.