As vozes em minha cabeça

As vozes em minha cabeça

Diminuindo as quantidades

Desde pequeno, fui criado com a noção de que deixar sobrar comida era feio. No começo, eu tinha de comer toda a comida do prato. Depois, a da panela. Logo, eu já não conseguia mais ouvir “as vozes em minha cabeça” que me diziam para parar de comer, pois eu nem ligava se estava satisfeito se ainda houvesse comida disponível. Como se não bastasse, terminar de comer era condição básica para eu poder brincar, ver televisão, ficar no computador ou jogar videogame. Por isto, tratava de comer o mais rápido que pudesse para poder “me livrar” e ir fazer o que eu queria. Assim comecei a comer muito e rápido demais.

Pois bem, se você vem acompanhando o blog, deve ter notado que eu estava em um platô de perda de peso; ou seja, estava estacionado em torno dos 120kg. Hoje pela manhã finalmente consegui cruzar esse platô e a balança marcou 119,2 kg: mais de 1kg a menos do que ontem. Impressionante, não? Mas como isso aconteceu?

Tenho um grupo de amigos que faz dietas low carb. Em geral, fazem a dieta cetogênica (keto diet). Eu costumava não me pautar por uma dieta específica, simplesmente cortei os carboidratos, mas mantive o volume de comida (ou seja, ocupando o mesmo espaço no prato). No começo funcionou muito bem. No entanto, nas últimas semanas, parecia que a dieta havia parado de funcionar. Nas discussões com meus amigos, comparando com o que eles comiam, a resposta era inequívoca: eu estacionei porque estava comendo demais. Não engordei, é verdade, mas estava comendo gordura e proteína suficientes para meu corpo não depender da minha própria gordura corporal.

Mas quanto eu deveria comer? Bom… resolvi então consultar as vozes em minha cabeça e comer somente quando estivesse com fome e fazendo quantidades muito menores de comida. Caso estivesse com fome após comer estas quantidades, iria fazer mais comida. Ontem, meu almoço foi 2 bifes de hamburger com um pouco de provolone em cima (mais azeite de oliva e pimenta do reino e um quadradinho de bacon que roubei do prato da minha namorada). Como sobremesa, um pouco de gelatina de morango batida com creme de leite (a da foto).

De tarde não tive fome, mesmo não tendo tomado café da manhã. Na realidade, cheguei a sentir meu estômago vazio e roncando (o que eu costumava confundir com fome), mas não sentia aquela dorzinha que costuma acompanhar esta sensação e que nos faz querer comer nem qualquer outro mal-estar relacionado à fome. Meu intestino é que entrou em modo de autolimpeza e precisei ir ao banheiro 3 vezes.

Às 8 e meia da noite, fui para o Aikido sem jantar (ou seja, em jejum desde o meio dia). Em uma dieta rica em carboidratos, esta seria a receita para eu ficar com pressão baixa e ter vontade de desmaiar, mas não senti qualquer mal-estar. Cheguei em casa, tomei um pouco de chá gelado, tomei banho e não senti fome (nem mesmo o estômago roncando). Me forcei então a comer o resto da gelatina batida com creme de leite e fui dormir.

Pela manhã me pesei e estava com os 119,2kg e finalmente estava sentindo fome. Fiz um ovo (e não 3 como costumava fazer) mexido com bacon e cream cheese e agora estou escrevendo este post. Se não sentir fome na hora do almoço, não irei comer. Se sentir fome, tenho uma lata de atum sólido no azeite de oliva à minha espera.

A conclusão de tudo: posso comer muito menos do que vinha comendo e ainda assim não passar fome. Posso inclusive fazer exercício em jejum sem passar mal porque meu corpo está acostumado a se alimentar de gordura e não de glicose.

PS: Não estou recomendando ao leitor que faça jejuns prolongados ou coma muito pouco. Só estou relatando minha experiência das últimas 24h. Cada um deve seguir seu corpo e procurar acompanhamento profissional para sua dieta.