A maior mentira do século – Parte 1

A maior mentira do século – Parte 1

Uma breve história das dietas

As principais objeções que recebo quando falo que faço uma dieta com baixo teor de carboidratos são: “eu não acredito nessas novidades aí, prefiro o jeito tradicional, com uma dieta balanceada, que é mais seguro porque já vem dando certo há mais tempo“; e “essa é aquela dieta da proteína do Dr. Atkins, todo mundo sabe que não dá certo a longo prazo, e o próprio Atkins morreu do coração por causa dessa dieta maluca”; e uma derivação desta, que é a “comendo tanta gordura assim, teu colesterol vai pras alturas e tu vais ter problemas cardíacos!”.

Pois bem: hoje vamos então pesquisar um pouco mais sobre a história das dietas para descobrir se há um fundo de verdade nessas afirmações.

Por volta de 1850, o agente funerário britânico William Banting, diabético e obeso há longa data, após consultar-se com seu médico, o Dr. William Harvey, recebeu a orientação de alimentar-se majoritariamente de carnes e hortaliças, evitando a todo o custo grãos, amido e doces.

Em um ano, Banting perdeu cerca de 25kg e parou de sentir os sintomas do diabetes. Não seria exagero dizer que Banting ficou maravilhado com a evolução de seu tratamento. Inclusive, Banting chegou a lançar um livreto, de 62 páginas, em que escrevia uma carta aberta à população, na qual narrava sua história e relatava sua dieta. O livreto, intitulado Letter on Corpulence Addressed to the Public, rapidamente virou um sucesso, ao ponto de “banting” (to bant) se tornar um verbo usado à época para se referir a dietas. O livro de Banting, a propósito, é o primeiro livro sobre dietas que se tem registro.

De 1850 até a década de 1960, o senso comum era: “se você está gordo, corte a batata, as massas, grãos e pães e você emagrecerá“. Neste período, aliás, a incidência de obesidade ainda era relativamente baixa e esta não era considerada uma epidemia. Ao contrário, até um certo nível, a gordura corporal era sinônimo de saúde. Um exemplo disso é a atriz Marylin Monroe, grande símbolo sexual dessa época, que hoje seria considerada acima do peso.

Em outras palavras: uma dieta com baixo teor de carboidratos não é nenhuma novidade. Na realidade, durante mais de 100 anos, desde o primeiro livro sobre dietas que se tem registro, a dieta padrão era uma dieta low carb.

Mas o que mudou então?

Em 1953, o bioquímico norte-americano Ancel Keys realizou um estudo em que ele comparava as taxas de mortalidade por doenças coronário-cardíacas (DCC) com o consumo total de gordura em 6 países: Japão, Itália, Reino Unido (Inglaterra e País de Gales), Austrália, Canadá e Estados Unidos. Os resultados eram claríssimos: os países com um menor consumo de gordura tinham um menor número de DCCs, enquanto os que consumiam mais gordura tinham uma maior incidência dessas doenças. Óbvio, não?

Bem, seria perfeito se não fosse uma grande mentira. Uma mentira que tomou proporções avassaladoras e que criou o senso comum de que gordura animal faz mal para nosso coração e de que para você ser saudável, você precisa ser super magro.

É sobre esta grande mentira que vamos falar nos próximos posts da série “A maior mentira do século“.

No próximo post: os perigos da pseudociência e a relação entre esta grande mentira, Toyota, fantasmas e menstruação.