Dietas, efeito sanfona, infarto, ovários policísticos

Dietas, efeito sanfona, infarto, ovários policísticos

A solução low carb

Em 2002 eu fiz uma grande dieta. Eu tinha 17 anos, perder peso era fácil: consegui juntar força de vontade, fui a uma nutricionista e passei a contar calorias freneticamente, voltando à nutricionista a cada 3 semanas para avaliar os resultados. Em sete meses, passei de 106kg para 82kg. Foi uma conquista e tanto.

No entanto, só consegui manter o peso por três meses, um pequeno deslize em um feriadão e engordei 3kg. Como um típico adolescente carente de aprovação, resolvi que só voltaria à nutricionista quando perdesse estes 3kg. Voltei 3 anos depois, 34kg mais gordo (116kg).

Nos sete anos que se seguiram, tentei diversas dietas de baixa caloria e, inclusive uma que parecia ter bastante fundamento (Dieta do Abdômen, ou ABS Diet), em que eu poderia comer à vontade um determinado grupo de 11 alimentos “poderosos” desde que fizesse muitos abdominais e musculação. Funcionou por um tempo, perdi 6kg, mas logo acabei “estourando” o joelho na academia, enjoando dos tais 11 alimentos “poderosos” e engordando aqueles 6kg e muito mais.

Comecei 2011 com 138kg. Meu neurologista então me receitou um remédio (eu tenho transtorno bipolar e déficit de atenção) que além de regular o humor, inibiria meu apetite. Nos primeiros meses funcionou muito bem: passei a me servir de maneira completamente racional. Antes, a sensação que eu tinha ao olhar um doce ou uma massa ao molho de queijo era “Nossa! o mundo vai acabar em 15 minutos e esta é a última vez que vou comer esta maravilha!”. Passei então a comer poucas calorias novamente e durante o ano todo, perdi 4kg (chegando a 134kg).

Na virada para 2012, achei os papéis da minha dieta de 2002. Segui-os de 1o de janeiro até abril de forma bem estrita, comecei a caminhar e perdi 12kg nesses 4 meses. Entretanto, à medida que o tempo passava, eu ia me sentindo cada vez mais fraco e cansado, não conseguia mais manter minha concentração (mesmo tomando Ritalina) e, em alguns dias, sentia uma vontade desesperadora de comer doce.

Engordei 4kg de abril a maio, chegando a 126kg, mesmo passando a maior parte do tempo em balanço calórico negativo, ou seja, comendo menos calorias do que precisava para me manter, os ataques a doces e massas que eu tinha esporadicamente me engordavam muito mais do que eu conseguia perder.

Em paralelo a isto, duas coisas ocorreram:

  • em março, meu pai teve um princípio de infarto e teve que fazer (em abril) uma cirurgia para a colocação de stents nas artérias do coração porque já apresentava 95% de entupimento (aterosclerose), sendo que ele JAMAIS teve colesterol (nem LDL) acima dos valores de referência, apenas o HDL baixo demais.
  • uma amiga minha, de agosto de 2011 a março de 2012, ou seja, em 8 meses, fazendo uma dieta em que ela restringia a ingesta máxima de carboidratos a 20g por dia, enquanto comia livremente gorduras (inclusive saturada) e uma quantidade grande de proteínas.

Nestes 8 meses, minha amiga perdeu 40kg. Nos meses seguintes (de abril de 2012 até hoje, 26 de julho de 2012), ela conseguiu estabilizar seu peso (mesmo estando em um país estrangeiro e vivendo basicamente de fast food e comidas prontas).

Minha primeira reação foi pensar que “isso não vai se sustentar a longo prazo”, ou “ela vai ficar com o ‘colesterol ruim’ alto”. Sabe o que os exames mostraram? Todos os índices de saúde dela melhoraram. Inclusive, o LDL baixou e o HDL, o “colesterol bom” (isto é uma simplificação horrível, a propósito), subiu de valores abaixo do referencial mínimo (que é 39) para números próximos de 60. Para completar o cenário, ela tem a Síndrome dos Ovários Policísticos (que causa um desequilibrio hormonal seriíssimo) e, após a dieta, os efeitos da síndrome simplesmente desapareceram.

Como poderia ser possível isto? Ela emagreceu sem passar fome e comendo “rios” de gordura e ainda por cima ficou mais saudável! Eu precisava testar.

Pois bem, é isto que venho fazendo desde junho, mas com algumas diferenças. Quase por acaso, achei o ótimo blog do Dr. José Carlos Souto e nele encontrei um universo de informações que me mostraram que, sim, existe base científica nesta dieta. E mais! Que NÃO EXISTE base científica sólida que prove que gordura saturada faz mal, nem de que o balanço calórico seja a causa da obesidade (pelo contrário).

A partir do blog do Dr. Souto e com a ajuda do Google, acabei encontrando diversos livros sobre o assunto (comprei alguns e estou lendo). E depois disso tudo, resolvi compartilhar minhas experiências com vocês.

Hoje, 26/07/2012, estou pesando 121,1kg (ou seja, perdi 5kg desde junho), sendo que neste período, tive que realizar uma cirurgia (e a comida do hospital era cheia de carboidratos) e, ao contrário do senso comum, engordei 2,5kg no hospital (e os perdi em menos de 2 semanas).

Ficou curioso? Acompanhe os próximos posts.